TRABALHAR OU TER TEMPO LIVRE?

Simone Klober

Membro Didata em Formação nas áreas Organizacional e Educacional


O que é mais importante, trabalhar ou ter tempo livre?


Há incontáveis variáveis relacionadas à forma como cada pessoa utiliza o seu tempo. No entanto, independente do que vier como resposta, a questão central aqui é: o tempo pessoal pode ser considerado de outras maneiras que não somente a divisão entre trabalho e tempo livre.


Embora em alguns momentos da vida juremos de pés juntos que gostaríamos de ter todo tempo livre e não precisar fazer nada, Erick Berne, criador da Análise Transacional, afirma que todos temos três fomes psicológicas, assim como nosso corpo tem fome de comida. E uma delas é justamente a fome por estruturação do tempo.


Do berço ao túmulo, a questão do que fazer do tempo é para nós uma das mais primitivas. Os antigos gregos e hebreus, embora tivessem conhecimento do tempo do relógio (Chronos), consideravam como mais importante o preenchimento do tempo com contatos significativos (Kairós). As horas, dias, meses ou anos não eram o seu foco de interesse, mas a maneira como eram preenchidos com fatos e seus significados. Sabe quando temos aquela sensação de que o “tempo voou”? É possível que a situação vivida tenha sido tão significativa que você simplesmente se distanciou do tempo cronológico. Também é comum experimentarmos a sensação do tempo se arrastar. Nesse caso, é possível que a situação em que estávamos envolvidos tinha pouco ou nenhum significado percebido.


A Análise Transacional distingue seis formas de estruturação do tempo social, isto é, seis alternativas de comportamento social à sua escolha que caracterizam o tempo de interação com outras pessoas. São elas: Isolamento, Rituais, Passatempo, Atividades, Jogos e Intimidade. Cada uma permite graus diferentes de interação, reconhecimento e exposição e, consequentemente, preenchem de forma diferente a necessidade de interação genuína e verdadeira que todo ser humano possui. Nós podemos ir de um extremo a outro escolhendo o isolamento como uma forma de não interação ou a intimidade, preenchendo nosso tempo com contatos verdadeiros e abertos.


Embora haja pessoas reclamando que não tem controle algum sobre o tempo que parece “atropelá-la” é importante estarmos conscientes de que somos nós que escolhemos como utilizar nosso tempo. Desligar o piloto automático e conscientemente escolher utilizar o tempo de forma significativa trará possibilidades diferentes de nos sentirmos vivos, plenos e felizes. Ou, nas palavras de Eric Berne, poderemos estruturar o tempo com mais intimidade e mais vida.


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